Dei por mim a questionar-me e a reviver momentos em minha memória.
Percebi que sempre fiz tudo para ser aceite, para não ser rejeitada
Percebi que até agora nunca tinha ouvido um não na vida em sociedade.
Percebi que ouvi-lo não é fácil e pode perturbar muito o nosso ser.
Percebi que por muito que nos esforcemos para dar o nosso melhor, nem sempre será o "nosso melhor" para os outros.
Percebi que afinal não sei viver em sociedade.
Que afinal sermos pessoas boas e fazer o bem não significa que vamos ser aceites, pelo contrário, quer dizer que vamos ter muita gente que vai-nos querer testar, para ver qual o nosso limite.
Quanto mais querido fores, mais a tua paciência e resistênica irá ser testada.
Para além disso, reparei que a minha ansiedade começou quando ainda tinha apenas 10 anos e nem se quer sabia o que isso era.
Nunca se tinha ouvido falar de tal, e foi-me dito que os meus desmaios era de ver agulhas (coisa que não tinha medo) ou estava relacionado com o meu pai sofrer de Epilepsia (coisa que ficou provada através de exames que não).
Portanto, durante muito tempo insisti com as pessoas para que percebessem que não tinha medo de ver sangue ou agulhas ou de qualquer outra coisa. Esforcei-me por explicar o que se passava comigo, no íntimo do meu ser, antes de cada quase desmaio (com o passar do tempo, fiquei a conhecer os sintomas e adoptei a minha forma de controlar), até que alguém percebeu que o meu organismo entrava em pânico e que isso se chamava ansiedade.
Esta foi piorando a cada coisa nova que acontecia na minha vida.
Hoje está num estado grave, mesmo elevado, que mal consigo controlar.
Ás vezes só quero mesmo desmaiar, para que aquela pressão acabe.
Mas como podem evidenciar isto afeta muito a minha vida e o medo que tenho do desconhecido aumenta ainda mais com esta do meu lado.
Contudo, não se pode desistir, sei que existem mais pessoas iguais a mim, que não desmaiam, mas têm os seus sintomas causados pela ansiedade e sabem que não é nada fácil.
Porém sempre arranjamos uma forma de conseguir ultrapassá-la e quando nao conseguimos, paciência! A vida há-de encarregar-se de domá-la!
Apenas não podemos desacreditar e desistir! Temos de tentar viver um dia de cada vez e tentar mesmo viver essa ansiedade. Não é fugindo dela, que esta desaparece, é enfrentando-a, sentindo-a e demonstrar a nós próprios, que a tempestade que estamos a fazer num copo de água, poderá se tornar num lindo raio de sol.
Hoje penso que tudo o que se passou na minha vida agravou a ansiedade e me fez viver a vida com insegurança e sempre a pensar com ânsia sobre o amanhã, sobre o que as pessoas irão pensar e sobre o desconhecido.
Hoje sei que nada disso vale a pena e que não serei mais feliz por viver assim, mas já é um pouco tarde para mudar de um momento para o outro. Terá de ser aos poucos. Lentamente.
Mas tentem, não desistam!